ARTIGOS

Alencar Santana: responsabilidade política e democracia

Nosso congresso demonstrou mais uma vez a força do PT

 

O congresso nacional do PT realizado entre os dias 11 e 13 de junho, em Salvador, Terra do Acarajé e do Vatapá, foi um grande e importante encontro.

Além da alegre e acalorada recepção do povo baiano, os(as) delegados(as) demonstraram seu compromisso partidário e preocupação política com a delicada conjuntura atual e os desafios futuros.

A juventude petista presente ao congresso travou excelentes debates nos grupos de discussão, demonstrado, como sempre, que está antenada e preparada para propor soluções ao nosso partido.

Assim como a juventude, as mulheres, negros(as), índios(as), artistas, público GLBT e demais mostraram a diversidade do PT e da sociedade brasileira, com seus sotaques e cultura, contribuíram para a construção política durante o congresso.

Essa ampla participação é fruto da justa políticas de cotas implementada pelo PT no congresso anterior e do nosso compromisso democrático.

O debate central desse congresso travou-se em dois eixos, a política econômica do Governo Dilma e seus desdobramentos e a remodelagem do PED para o modelo congressual, como fora no passado.

A implementação de uma política econômica recessiva ou que venha retirar direitos não encontra respaldo em qualquer grupo do PT, do campo majoritário às demais tendências.

O entendimento e a crítica à política atual de “ajustes” encontra no seio do PT e de sua base forte divergência, pois muitos entendem que pode levar o país à recessão, agravada ainda com um cenário político instável e de golpe por parte de alguns setores.

Entretanto, na abertura do encontro, o presidente Lula relembrou que os ataques que sofremos são antigos e visam enfraquecer o projeto político que sempre esteve ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores e também que não devemos vacilar na defesa das nossas conquistas e do nosso governo.

A presidente Dilma, demonstrando segurança nas medidas implementadas e reafirmando que esse momento é curto e transitório, e que os direitos são inegociáveis, pediu confiança e apoio ao seu governo e as suas decisões, afirmando que não há qualquer política recessiva em curso e que o país em breve retomará o rumo do desenvolvimento com inclusão social.

Ao PT, mesmo que diante de uma aparente contradição, não cabia outra coisa senão demonstrar sua maturidade e responsabilidade políticas reafirmando sua confiança no governo Dilma. Não há tempo para excitação e dúvidas.

Qualquer outra solução, como desejavam alguns grupos do PT, seria isolar ainda mais nosso governo, como desejam alguns abutres da oposição e do mundo financeiro.

Em relação ao PED – processo de eleição direta – decidimos continuar com a participação direta de nossos(as) militantes na escolha das direções, abolindo a contribuição obrigatória para que o poder econômico de determinados agrupamentos em relação a outros não interfira no processo, e decidimos por realizar um seminário em 90 dias para debater e aperfeiçoar a participação militante direta.

E bom fazermos o paralelo que essa proposta transfere ao próprio partido a obrigação de financiar todo processo de eleição interna, dando paridade na disputa, no mesmo molde que defendemos com o financiamento público eleitoral, para que todos os partidos e candidatos(as) tenham as mesmas condições.

Debatemos algumas outras propostas, como a realização de um congresso constituinte para escolher uma nova direção ao PT e também outras propostas na área econômica, demonstrando a riqueza e pluralidade do debate.

Somos um partido formado por milhares de trabalhadores(as) homens e mulheres, jovens, adultos, idosos(as), negros(as), índios(as), população GLBT e tantos outros grupos que sabem que a política é um bem maior para melhorar a vida do povo e para defender direitos dos(as) trabalhadores(as) e dos(as) oprimidos(as).

Sabemos que nossa história foi marcada pela luta política em defesa do nosso projeto transformador e que sempre enfrentamos dificuldades, preconceitos, calúnias e tantas outras agressões para que recuássemos.

Vencemos e avançamos sempre. Agora não será diferente.

Nosso congresso demonstrou mais uma vez a força do PT e a corrente majoritária, a CNB, agiu com a devida responsabilidade política que compete a maioria em defender o governo Dilma e também para democratizar ainda mais o PT.

Que possamos aprofundar nossos debates com a mais livre e plural participação da militância e de todos (as) aqueles(as) que comungam com os mesmos valores da justiça social, da igualdade e da liberdade política para que continuemos sempre firmes e convictos que nossa missão é longa e justa.

Saudações

*Alencar Santana Braga é deputado estadual pelo PT-SP

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