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Após PSDB secar SP, água virou artigo de luxo

Após PSDB secar SP, água virou artigo de luxoCom a frase no cartaz “A água virou luxo”, ativistas do Greenpeace protestaram esta semana contra a crise da água em São Paulo, na rua Oscar Freire, no bairro dos Jardins.

O movimento critica a aposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de que as chuvas em setembro regularizem a situação dos mananciais e aponta problemas de gestão no sistema da água do estado.

Um tapete vermelho foi estendido por seis militantes na calçada em frente às lojas de grife da rua mais cara de São Paulo.

Um dos manifestantes estava com uma máscara que imita o rosto de Alckmin e oferecia uma jarra dourada com água, pelo preço de R$ 100. “Como a água está com essas crises crescentes em São Paulo, está se tornando um artigo de luxo”, comenta Pedro Telles, representante do Greenpeace, em entrevista à Rádio Brasil Atual.
Telles aponta que muitos meteorologistas indicam que não é possível garantir que as chuvas de setembro serão fortes o suficiente para superar a crise. “Isso está longe de solucionar o problema estrutural.

A gente está vendo a crise de água cada vez mais complexa. Então, talvez se resolva agora, mas, no ano que vem, volta a ser um problema”, argumenta.

As represas que compõem os sistemas Cantareira e Alto Tietê continuam, diariamente, registrando queda no volume de água armazenado, o que configura o pior quadro de crise de abastecimento da história do estado de São Paulo. O Greenpeace considera que é preciso uma profunda reforma da gestão do sistema.

A portaria que renovou a outorga da concessão da administração do Cantareira, em 2004, já indicava que a Sabesp não deveria depender tanto do fornecimento da água do sistema. Entretanto, o governo estadual ignorou esse e outros relatórios que apontavam para a crise e não tomou medidas. Pedro ressalta que a questão não é a falta de chuva, mas, sim, de gestão. “É claro que, quando falta chuva, o problema de gestão se escancara.”

De acordo com o ativista, o governo se planeja hoje como fazia há 20 anos e é preciso reformular a gestão com base nos novos ciclos naturais. “Nós já temos a capacidade técnica, científica e de recursos. São Paulo é o estado mais rico do país. Então, tem os recursos para superar esse desafio”, considera.

Para Pedro, com a insegurança hídrica cada vez maior em São Paulo, a situação já ameaça serviços essenciais e até mesmo direitos humanos. “Imagina um hospital sem água? Há muita gente pobre que já está sem. É uma questão de direitos humanos”, ressalta.

O Greenpeace foi ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, para entregar uma carta a Alckmin com demandas estratégicas para solucionar e resolver a crise. No entanto, o governador não se manifestou. A carta prioriza o combate ao desperdício, a promoção de eficiência do uso de recursos hídricos, a qualidade da água, a criação de políticas de moradia para evitar a ocupação em regiões próximas a mananciais e o combate à poluição.

Telles pontua que uma solução estrutural é a combinação de proteção às florestas, mata auxiliar, Mata Atlântica e dos mananciais, que são fontes de água, além de uma reforma no sistema de gestão dos recursos hídricos, já que 25% deles são perdidos em distribuição, o que abasteceria 3,7 milhões de pessoas. “Tem que ter uma reforma em todo o sistema. Basicamente, é um sistema muito antigo. Tem carência de manutenção. Precisa ser profundamente reformado”, destaca.

Análise

O cientista político e comentarista da RBA, Paulo Vannuchi, apoia a ideia do ato realizado pelo Greenpeace na Oscar Freire. “Surpreende. Com isso, adquire impacto midiático.” Para ele, o protesto entra “em choque” com parte da mídia e o governo, que “acobertam a situação da crise.” “O problema da água é um problema muito preocupante.

Não é só brincadeira do Greenpeace a história da água que virou luxo”, avalia. Além disso, o cientista político também acredita que a aposta do governo no regime de chuva em setembro é insuficiente.
“Já há uma crise de água prevista para o ano que vem, porque qualquer que seja o regime de chuva de setembro, dificilmente, novembro, dezembro, janeiro, vão repor”, diz.

Fonte: Rede Brasil Atual

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