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Arrocho Neves construiu aeroporto pra si mesmo, com dinheiro público

NAVE TUCANANotícia contra Aécio na capa da Folha? Esse é o primeiro espanto, tanto que merece algumas especulações. A Folha tem procurado se descolar um pouco do tipo de jornalismo partidário e unilateral praticado pelo Globo. Contrataram o Ricardo Melo, para fazer um contraponto à esquerda. Agora deram um passo ainda maior e contrataram Guilherme Boulous, dirigente do MTST. Lá tem o Jânio de Freitas, que sempre bate na própria linha do jornal. E a Ombudsman costuma criticar abertamente o tucanismo da empresa.

O que parece haver é um conflito entre o lado familiar da companhia, que tende a um tucanismo sectário, e o lado profissional, preocupado em manter um jornal lucrativo.
O problema é que, no Brasil, um escândalo só vale se houver uma campanha. Ou seja, os outros jornalões também tem de entrar. As revistas, idem. Daí o caso se espalha para todos os veículos de médio porte do país.
Isso ainda não acontece. De vez em quando, Folha ou Estado divulgam algum escândalo tucano. Mas não se cria uma campanha jornalística, como ocorre com qualquer escândalo petista. E o assunto morre.
Esse escândalo do aeroporto é muito grave, porque revela um síntese escandalosa do famigerado patrimonialismo brasileiro.

Coisa de coronel nordestino das antigas.

Aécio Neves não apenas construiu um aeroporto na fazenda de seu tio, ao custo de R$ 14 milhões, mais R$ 1 milhão pela desapropriação do terreno (valor que seu tio contesta e quer mais). Ele construiu para seu uso particular, porque a sua fazenda “preferida”, aquela onde ele mais costuma ir quando se cansa das noitadas no Rio, fica ali ao lado.
O pior de tudo é que o aeroporto, pronto em 2010, é usado apenas por ele, Aécio Neves, que não se deu ao trabalho sequer de concluir a documentação para torná-lo realmente público.
Outro fato interessante: por que se demorou tanto tempo para se descobrir tal coisa? Por que a imprensa de Minas nunca divulgou isso?
Uma das razões da Folha divulgar tal fato com tanto alarde é a constatação de que isso viria à tona nessas eleições, e a melhor maneira de tratar o episódio é divulgá-lo e dar o direito de resposta a Aécio.

A Folha dá quase metade de página, e na mesma edição, para Aécio responder à denúncia.
É melhor assim do que ver a denúncia cair nas mãos de um “blog”…
A prova de que esse raciocínio é correto está na coluna Painel, da mesma Folha. A coluna dá quatro notas para tentar explicar contradições na declaração de bens de Aécio, reveladas por um “blog”, ao qual a coluna acrescenta o adjetivo “petista”.
Fosse um blog contra o PT, não poria o nome “tucano”…

Fonte: Tijolaço

 

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