ATUAÇÃO PARLAMENTAR

Audiência para ouvir “ex-gays” pretende pautar novamente a “Cura Gay”

Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o verdadeiro objetivo da reunião convocada por Marco Feliciano (PSC), era reforçar uma pauta conservadora que estigmatiza ainda mais o preconceito e a discriminação contra a comunidade LGBT
A audiência pública na Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (24), para discutir os problemas enfrentados por ex-homossexuais, foi vista como mais uma tentativa de emplacar o projeto de  “Cura Gay” na Casa.

Convocada pelo deputado Marco Feliciano (PSC), a reunião contou com diversos depoimentos de pessoas auto intituladas “ex-gays” sobre como sofreriam preconceito tanto por grupos héteros quanto na comunidade LGBT.

De acordo com o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que presidiu a audiência, é muito claro o desejo de deputados conservadores de recuperar uma “construção reacionária” para recolocar em debate na sociedade a possibilidade de terapias seriam uma alternativa para a “cura gay”.

“Esse é o plano de fundo dessa audiência e da construção que essa ala conservadora busca fazer”, diz.

Presidente da comissão, Pimenta explicou por que a bancada petista é contrária a discussão. “Essa reunião expôs um conjunto de pessoas de maneira desnecessária e tinha o intuito de reforçar uma pauta conservadora que estigmatiza ainda mais o preconceito e a discriminação contra a comunidade LGBT”, afirma.

O deputado reforçou que o Partido dos Trabalhadores quer cada vez mais ampliar os direitos dos homossexuais, criminalizar a homofobia e investir em políticas públicas que valorizem as diferenças e diversidades.

Segundo ele, todas as lutas do PT para essa classe vão na contramão de tudo aquilo que os componentes da audiência pública entendem quando propõe que ela seja realizada.

“A audiência teve por objetivo reforçar o estigma dos homossexuais na sociedade e para isso não mediram esforços e não pensaram nas consequências de expor as pessoas da maneira como foi feito”, comenta.

O discurso das pessoas ao darem testemunho de que foram curadas, afirmam automaticamente que elas estavam doentes ou tinham algum transtorno.

“Elas buscam criar uma construção que já foi negada pela ciência, pela cultura e pela sociedade. Não se associa a homossexualidade a uma questão patológica há décadas. Essa parte a sociedade já superou”, afirma Paulo Pimenta.

 

Texto: Danielle Cambraia, da Agência PT de Notícias

 

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