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Bruno Elias: Mobilização e programa popular contra o golpismo

A intentona golpista se agravou nos últimos dias e a questão democrática não deve ser negligenciada por nenhum brasileiro e brasileira.

O roteiro não inclui necessariamente as quarteladas de outrora, mas parte dos igualmente batidos “juízos políticos” ou “golpes brandos” em curso na América Latina com as bênçãos de Washington.

O conluio entre fortes interesses internacionais e do grande capital com o oligopólio da mídia, a maioria conservadora no parlamento, no judiciário e em outras posições relevantes do aparato de Estado visam interromper o ciclo de governos progressistas e de esquerda na América Latina e no Caribe.

No Brasil, a direita subiu o tom e segue atacando em todas as frentes: chantagem pró-ajuste das agências de risco, ultimatos da grande mídia e do empresariado contra as conquistas da Constituição de 1988, pressão pela reprovação das contas do governo no TCU e pela abertura formal do processo de impeachment na Câmara dos Deputados.

A marcha dos acontecimentos inclui ainda a posição no mínimo vacilante do PMDB e de outros partidos da base do governo, as tentativas de desconstrução da liderança popular de Lula e a possível reação dos achacadores do Congresso Nacional contra a decisão do STF e o necessário veto presidencial ao financiamento empresarial da política.

Por outro lado, a opção do governo por ajustes que agravam o quadro de recessão, diminuição dos postos de trabalho e dos investimentos sociais não só não têm servido como solução aos problemas das contas públicas e da retomada do crescimento, como têm prejudicado as condições políticas e econômicas para a reação dos setores populares e democráticos.

Diante da ofensiva conservadora, a presença em setores importantes do governo e do PT da síndrome de avestruz que finge que nada acontece ou da tendência suicida de redobrar a aposta no ajuste e na conciliação com a direita nos desarmam para enfrentar o atual momento político.

O caminho ainda não tentado mas coerente para enfrentar o golpismo e o entreguismo neoliberal é reatar os compromissos com o campo democrático e popular em torno da defesa da democracia e da política econômica e programa eleitos em 2014.

Em outubro, a Frente Brasil Popular está convocando para o dia 3 uma grande mobilização nacional em defesa da democracia, por uma nova política econômica e pelo controle do povo brasileiro sobre o Petróleo. No mesmo mês, a Central Única dos Trabalhadores realizará seu congresso em um momento decisivo para a luta da classe trabalhadora.

A estas lutas e tarefas devemos dedicar nossas maiores energias  e compromissos. Tem muita coisa em jogo neste começo de primavera.

Bruno Elias é secretário nacional de movimentos populares do PT

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