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Frei Betto: ‘Há uma enorme diferença entre o Brasil eleitoral e o Brasil real’

Analista indica que a reforma política é urgente, em especial nos itens fidelidade partidária e determinação dos fundos que sustentam campanhas

 

Para o escritor Frei Betto, “há uma enorme diferença entre o Brasil eleitoral e o Brasil real.” Ele avalia que quanto mais “efeitos especiais” presentes na campanha eleitoral, mais o político sobe nos índices de pesquisas. “O bonito ganha do feio, o rico do pobre. O histriônico do tímido, o mentor de assassinos ganha daquele que defende os direitos humanos”, diz em comentário realizado hoje (28) à Rádio Brasil Atual.

“As cenas na televisão têm um único objetivo, impressionar os eleitores. Será que isso não é um caso típico de propaganda enganosa? O candidato não fala o que pensa. Nem fala o que sente. Lê, em um aparelho chamado teleprompter, um texto elaborado pelos marqueteiros. Tudo soa falso: o sorriso, o tom de voz , os gestos”, considera.

Levando em conta o atual cenário eleitoral, Frei Betto afirma que a reforma política é “tão urgente quanto a reforma agrária”, em especial nos itens fidelidade partidária e determinação dos fundos que sustentam as campanhas.

Além disso, ele aponta que é preciso que sejam introduzidos nos horários eleitorais televisivos debates obrigatórios: “Sem maquiagem, sem teleprompter, sem gestos ensaiados. O candidato teria que dizer o que pensa e o que não pensa, regido com as suas próprias emoções e convicções.”

Ele acrescenta que as grandes emissoras de TV e rádio não perdem lucro ao cederem espaços para a propaganda eleitoral, pois ganham isenção tributária correspondente ao que ganhariam com publicidade.

Fonte: Reporter Diario

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